Samuel Lino salvou o Rubro-Negro da derrota, mas atuação abaixo do esperado escancarou falta de intensidade, pouca criatividade e desperdício de oportunidade no Brasileirão

Imagem de destaque: Internacional 1 x 1 Flamengo — dados da partida: Sofascore | Arte: Canal Bruno Baesso
O Flamengo voltou a decepcionar no Campeonato Brasileiro. Na noite desta quarta-feira, 29 de julho de 2026, o Rubro-Negro empatou em 1 a 1 com o Internacional, no Beira-Rio, pela 21ª rodada, em uma atuação muito abaixo do esperado. Vitinho abriu o placar para o Colorado no primeiro tempo, e Samuel Lino evitou a derrota ao marcar na etapa final.
O resultado é péssimo pelo contexto. O Internacional vinha pressionado, perto da zona de rebaixamento e sem vencer há cinco jogos no Brasileirão. Mesmo assim, foi o time gaúcho quem teve mais agressividade, intensidade e chances claras durante boa parte da partida. O Flamengo terminou com 73% de posse de bola e 704 passes, segundo a arte com dados do Sofascore, mas esses números não se transformaram em domínio real, nem em bom futebol.
A imagem da partida resume bem o problema: o Flamengo teve muito a bola, mas produziu pouco. O Rubro-Negro finalizou 14 vezes contra 16 do Internacional, criou duas grandes chances, mesmo número do adversário, e ficou com xG muito parecido: 1.45 contra 1.38. Ou seja, a posse foi enorme, mas o desempenho foi pobre.
O primeiro tempo foi especialmente ruim. O Flamengo começou até criando uma chance com Carrascal, que recebeu passe de Pedro e parou em Matheus Cunha. Depois disso, o time perdeu ritmo, ficou lento, espaçado e sem agressividade para atacar a defesa colorada. O Internacional, mais vertical, encontrou espaços principalmente com Carbonero e levou perigo nas transições.
Aos 26 minutos, veio o castigo. Carbonero recebeu nas costas da defesa, saiu cara a cara com Rossi e obrigou o goleiro rubro-negro a fazer boa defesa. No rebote, Jorginho se atrapalhou, Vitinho ficou com a sobra e finalizou para abrir o placar. Varela ainda tentou salvar quase em cima da linha, mas não conseguiu evitar o gol colorado.
O gol expôs a apatia rubro-negra. O Flamengo parecia jogar em ritmo de treino, sem urgência, sem pressão pós-perda e com pouca inspiração dos principais jogadores. Arrascaeta, que voltou a ser titular, tentou participar, mas não conseguiu organizar o time como se esperava. Carrascal começou com uma boa chance, mas sumiu. Pedro ficou isolado. Samuel Lino foi um dos poucos que tentou quebrar a previsibilidade.
No intervalo, Leonardo Jardim mexeu na equipe. Pulgar e Danilo entraram nos lugares de Evertton Araújo e Léo Pereira. Depois, Emerson Royal e Bruno Henrique foram acionados nas vagas de Alex Sandro e Carrascal. As mudanças deram mais presença física e melhoraram a ocupação no campo ofensivo, mas o Flamengo continuou tendo dificuldade para transformar posse em pressão verdadeira.
A reação veio apenas aos 34 minutos do segundo tempo. Jorginho recuperou a bola no meio, Arrascaeta encontrou Pedro, e o camisa 9 finalizou para defesa de Matheus Cunha. Na sequência, após bate-rebate e erro da defesa do Internacional, Bruno Henrique ajeitou, e Samuel Lino apareceu livre para empatar.
O empate, porém, não muda a avaliação da noite. O Flamengo jogou muito mal. Contra um adversário em crise, que terminou a rodada ameaçado pela parte baixa da tabela, o Rubro-Negro não conseguiu impor superioridade técnica. A equipe teve a bola, rodou passes, mas faltou intensidade, profundidade, criatividade e fome para vencer.
A crítica não está apenas no placar. Está na forma. Um time que briga pelo título não pode tratar jogos como esse com tamanha falta de urgência. Depois do empate ruim com o São Paulo, o Flamengo precisava dar uma resposta forte fora de casa. Não deu.
Na entrevista coletiva, Leonardo Jardim tentou contextualizar o desempenho ruim do Flamengo e falou sobre desgaste da equipe, citando a dificuldade da sequência recente para jogar, treinar e recuperar o grupo. A explicação ajuda a entender parte do problema físico e logístico, mas não apaga a má atuação. O Flamengo foi lento, previsível e pouco agressivo para quem precisava vencer.
O Flamengo chegou aos 39 pontos e segue na vice-liderança, mas desperdiçou mais uma chance de pressionar o Palmeiras. O time volta a campo apenas no dia 9 de agosto, contra o Vitória, no Maracanã, e Leonardo Jardim terá tempo para trabalhar. E precisa trabalhar muito, porque o desempenho no Beira-Rio foi incompatível com um candidato ao título.

📸 Gilvan de Souza/Flamengo
Observação: a imagem anexada traz os dados gerais do Sofascore, mas não exibe as notas individuais. As avaliações abaixo seguem padrão Sofascore/editorial, com base no desempenho, nos lances e na participação de cada jogador.
Rossi — 7,0
Fez boas defesas e evitou que o Internacional ampliasse. No gol, defendeu a primeira finalização de Carbonero, mas ficou exposto no rebote. Foi um dos poucos que salvaram o Flamengo de um resultado ainda pior.
Varela — 5,5
Tentou salvar o gol de Vitinho quase em cima da linha, mas teve dificuldades defensivas nas costas. No apoio, apareceu pouco. Jogo abaixo.
Vitão — 5,5
Recebeu cartão amarelo e sofreu com a velocidade do Internacional em alguns momentos. Não comprometeu sozinho, mas a defesa esteve vulnerável.
Léo Pereira — 5,5
Sentiu dores no joelho ainda no primeiro tempo e seguiu até o intervalo. Teve limitações físicas e foi substituído por Danilo.
Alex Sandro — 5,0
Pouco produtivo no apoio e com dificuldade para dar profundidade pela esquerda. Saiu no segundo tempo para a entrada de Emerson Royal.
Evertton Araújo — 5,0
Não conseguiu dar intensidade ao meio-campo. Teve dificuldades para proteger a defesa e pouca influência na saída de bola. Saiu no intervalo.
Jorginho — 5,0
Falhou no rebote que originou o gol do Internacional, lance que pesou muito na avaliação. Melhorou depois e participou da recuperação que iniciou o gol de empate, mas a atuação foi irregular.
Arrascaeta — 6,0
Tentou organizar o time, participou do lance do gol e deu o passe para Pedro antes da sobra que terminou com Samuel Lino. Ainda assim, esteve abaixo do nível esperado para decidir uma partida desse tamanho.
Carrascal — 5,5
Teve a primeira boa chance do Flamengo no jogo, parando em Matheus Cunha. Depois, caiu muito de rendimento e pouco produziu. Saiu para Bruno Henrique.
Samuel Lino — 7,0
Foi o melhor jogador de linha do Flamengo. Marcou o gol de empate, tentou jogadas individuais e foi quem mais demonstrou lucidez no ataque. Salvou o Rubro-Negro de uma derrota.
Pedro — 5,5
Deu bom passe para Carrascal no início e participou do lance do empate ao finalizar para defesa de Matheus Cunha. No restante, ficou isolado e pouco acionado em condições reais de gol.
Danilo — 6,0
Entrou no intervalo no lugar de Léo Pereira e deu mais segurança defensiva. Atuação correta.
Erick Pulgar — 6,0
Entrou no lugar de Evertton Araújo e melhorou a marcação no meio. Recebeu cartão amarelo, mas deu mais presença ao setor.
Emerson Royal — 6,0
Entrou para dar mais força pelo lado direito. Participou mais do jogo ofensivo que Alex Sandro e ajudou o Flamengo a empurrar o Inter para trás.
Bruno Henrique — 6,5
Entrou bem, participou diretamente do gol de empate ao ajeitar para Samuel Lino e deu mais presença física ao ataque.
De La Cruz — sem nota
Entrou na reta final no lugar de Jorginho e teve pouco tempo para avaliação. Recebeu cartão amarelo.
Samuel Lino foi o destaque rubro-negro. Em uma noite ruim coletivamente, o atacante manteve a concentração, apareceu no momento decisivo e evitou uma derrota que seria ainda mais pesada para Leonardo Jardim.
O Flamengo, mesmo jogando mal, conseguiu buscar o empate fora de casa. A entrada de Bruno Henrique melhorou o ataque, e Samuel Lino voltou a ser decisivo.
A atuação foi muito ruim. O time teve 73% de posse de bola e 704 passes, mas foi lento, previsível e pouco agressivo. Ter a bola não significou controlar o jogo. O Internacional, mesmo em crise, criou perigo suficiente para vencer.
O empate por 1 a 1 com o Internacional tem gosto de derrota para o Flamengo. O resultado é péssimo não apenas pela pontuação, mas pela postura. O Rubro-Negro precisava vencer para pressionar o Palmeiras, mas apresentou um futebol burocrático, sem intensidade e sem criatividade.
Leonardo Jardim terá quase duas semanas até o próximo compromisso para corrigir os problemas. O Flamengo ainda está vivo na briga pelo título, mas atuações como a do Beira-Rio colocam em dúvida a capacidade do time de sustentar essa disputa. Para quem quer ser campeão brasileiro, jogar tão mal contra um adversário pressionado é um alerta enorme.
